Repensando o que é ser mulher

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Resolvi tomar ‘coragem’ (veja bem, não é coragem de ter ‘medo’ do que as pessoas vão pensar. Eu sinceramente estou me cagando sobre o que fulano e ciclana pensam. A coragem aqui era em colocar pra fora e ter medo do blog ficar muito pessoal, algo que há um tempo eu evitava pôr nessas bandas) e resolvi voltar a escrever mais sobre alguns ~pensamentos~ que tenho durante meus jobs de ilustração do TCC e da vida.

Amigx… Te juro, passa-se MUITA coisa na minha cabeça enquanto estou ilustrando, por isso que tenho a necessidade às vezes de escrever e botar as ideias num papel para eu me ‘desfazer’ daquela energia que me atormenta: de querer me expandir.

Não é nem porque ontem foi dia das mulheres que eu quis vir escrever aqui. Era porque tudo o que penso, aprendi, li e vi estava há um tempo na encubadora se formando em algo mais concreto (talvez nem esteja 100% concreto ainda, talvez esteja no caminho para.)

Bem, como começar esse papo né? Geralmente, minha mente anda a mil com tanta informação que recebe que para colocar tudo no papel leva um tempo para assimilar e meio que preciso fazer um mind map. Odeio começar texto, mas né..

Desde o ano passado que o papo estava crescendo sobre o tema de feminismo, não parava de ter papo sobre né? Pois é… Eu só ouvia, nem sabia direito o que era e fui seguindo por aí. Depois de um tempo, me enfiei em uns grupos feministas que tinha a arte no meio da história e ficava alí no backstage só observando. E esse tempo que fiquei observando eu aprendi muito.

Tudo o que aprendemos com nossos pais, não são culpa deles, mas da sociedade que impõem tudo o que você deve fazer, falar, comer, escutar, gostar e assim vai. Sempre tive uma opinião muito forte sobre isso. Na época da escola preferia mil vezes ficar sozinha do que ter que ‘me vestir igual fulana, comer igual fulana, seguir modinha da fulana, fazer tudo o que a fulana faz pra poder fazer parte de um grupo x’. Tive cabelo colorido desde meus 15 anos; uns gostavam, uns odiavam, uns tiravam sarro.. Eu amava. Eu fiz porque gostava das cores, gostava de expressar isso. Fazia porque eu quis. Não foi por ~tendência~ etc. Só que, naquela época, eu não gostava do meu cabelo de sua forma natural: ondulado. Vivia nas chapinha da vida. Isso? Foi imposto pela mídia de que mulher bonita é bonita só quem tem cabelo liso. Isso eu tive que aguentar durante anos na escola…

E o papo da ‘barriga chapada’? E o papo de que ‘só mulheres magras podem usar cropped’? E o papo que ‘fulana é puta porque transou no 1º encontro’? E o papo de que mulher é considerada objeto? E o famoso que eu (juro) mais odeio “não tenho coragem de usar tal roupa”? E o ‘rotular’?

Sério, depois de um tempo que eu realmente reparei como mídia, machismo, patriarcado, capitalismo tá tudo junto e misturado influenciando em muitas outras coisas e o resultado disso é triste. Vamos por partes…

Uns dias atrás, resolvi fazer um estudo de corpo para poder desenhar. Desde a faculdade de moda, somos acostumadas automaticamente a SÓ desenhar mulheres longilíneas, esbeltas, magras e cia. Desenhamos modelo vivo, ou seja, uma pessoa que trabalha com isso, fica nua em uma sala com mais de 10 pessoas a desenhando artisticamente. Claro, há pessoas acima do peso, magras, homens e assim vai. O máximo que tive na faculdade, foi uma modelo razoavelmente magras, com poucas gordurinhas para desenhar. Juntamente com tudo isso, adicione também tudo o que a mídia impõem na cabeça da mulher: ser magra, não pode ter estria, celulite etc etc. Acontece que, com essas fotos que eu tirei, a imagem que eu tinha na minha cabeça do meu próprio corpo era X. Depois que analisei as fotos, vi que meu corpo era Y. No pensamento x, eu entendia que meu corpo não fazia parte dos padrões adequados, que minha barriga era saliente demais, que minhas coxas eram grandes demais, que meus seios eram pequenos demais e que meu quadril era enorme. E não. Está tudo e perfeitamente saudável, dentro do que se pode chamar de normal, aceitável e belo. Eu passei a me aceitar mais, a ver como meu corpo realmente é e me sentir bonita do jeito que eu SOU.

Outro papo que vejo muito nos grupos que participo no facebook, é “Não tenho coragem para usar tal roupa” ou “Tá bonito assim? Em usar tal roupa?“. Juro que a palavra coragem, no sentido e da forma que é encaixada na frase me irrita profundamente. Desde sempre, as campanhas de moda são feitas com modelos magérrimas, a imagem de moda que é vendida (tanto na própria campanha ou em revistas – de moda, adolescente etc etc) são “Você tá linda com o look boho índio chic alternativo abcdefgh“; “Vai arrasar na cara das inimigas (??)“; “Você tá ousada pra causar na balada pra pegar o boy magia (??)” e assim por diante.

Tudo por conta dessa imagem que a senhora moda quer passar para vender sonho/emoção etc, causam nas mulheres insegurança e medo do que as pessoas vão pensar. Rotulam cada estilo de mulher para poder alcançar determinado nicho. Pena, capitalismo funciona assim. :/ Estimulam as mulheres a se compararem e a competir entre elas…. Gente, cadê sororidade, cadê amor entre as mulheres, cadê respeito???? Dói muito no meu ouvido quando escuta Srta. Valesca cantando que quer arrasar na cara das inimigas e beijinho ombro para a inveja…. Nenhuma mulher é melhor que a outra. Todas tem peito, bunda, xoxota, sua sexualidade, seu modo de se expressar, respiram, comem, bebem, se divertem e assim por diante. Por que se preocupam tanto em “ser melhor do que a outra”? É muito triste isso. E o detalhe da coragem: o corpo é seu. a vontade é sua. você usa/faz/pensa/sente o que quiser. Ninguém tem direito de cuidar/gerenciar isso pra você. Mulher! Se empodere. Goste do seu corpo pelo o que é, para poder conseguir ser, para só depois ter. Contanto que seja você mesma e tenha caráter, está tudo lindo e maravilhoso! ♥

A moda, ajuda em partes: em compor look com a modelagem legal para tal evento/finalidade, em combinação de cores, em brincar com texturas, brincar com estampas e determinados temas e assim vai. Ao ponto que tem uma “tendência” que você tem que ter…. Tenha quem goste, quem queira, quem se sente bem usando…. Muitas mulheres compram algo que faz parte de uma tendência pelo impulso, dai chega em casa não sabe como usar, o que fazer e nem usa. E tem outra também: não é só porque você tem uma peça de moda da última tendência que isso te fará alguém. A ideia principal ai é: você se sente bem em expressar o seu eu interior com a roupa x ou você quer usar pra causar? ~

Outro papo que nos foi ensinado desde sempre: Se vestir pra agradar o omi……………….. “Fique bonita para o fulano porque senão ele vai te deixar.” Sério mesmo? Pelo o que eu saiba, eu acordo com o cabelo em pé, like a zombie, com bafo, a cara amassada ~e não com a cara cheia de maquiagem e cabelo arruamdo; gosto de ficar em casa como #mendigofeelings all day, vou pra faculdade de chinelão mesmo e não fico me arrumando pra homem nenhum porque quero causar ou chamar a atenção dele. Me visto porque gosto de expressar o que sinto a cada dia, do jeito que eu acho legal. O cara tem que gostar de mim pelo o que eu sou, pelo o meu papo, pelo o que gostamos em comum e não pelo o que eu visto. O item, ‘se vestir’, é apenas um atrativo a mais, o marketing da primeira impressão dos seres humanos. Teve uma única vez em que um ex deu um leve piti porque eu tinha uma camisa transparente (tecido fluido em crepe) e veio com tom de ordem dizendo que eu não a iria vestir.

UHHUMSó porque o macho sente ciúmes, quer controle ou não concorda, acha que tem autoridade para querer controlar o meu corpo também né…

Eles já nos tratam como objeto, as publicidades de cerveja então… Quer controlar meu amigo? Senta lá Cláudio.

Bom senso para todos os lados é bom e todas nós gostamos. Se a menina gosta de usar saia curta, qual o problema com isso? Eu gosto, mas não me sinto totalmente confortável com determinados tamanhos de saia por n motivos e um deles são os caras na rua te cantando quando você passa por perto. ODEIO. E por conta disso, n mulheres também ficam com receio de usar e muitas vezes deixam de usar uma roupa que gosta.

Fico feliz que muitas mulheres, aos poucos, estão percebendo como é bom gostar de si mesma como realmente é. Que você não precisa ser magra pra usar tal roupa. Que mulheres possuem direitos iguais e que vamos alcançá-los. Que há sim sororidade entre elas.

Ana

 

4 Comment

  1. Independente de ser magra ou gorda, devemos nos valorizar, vestir as roupas que gostamos e não ligar para o que as pessoas falam, é preciso viver a vida de forma agradável e ser feliz.

  2. Apesar de nós temos imperfeições devemos acima de tudo nós valorizar não exageradamente como vemos por aí nem por isso sermos desleixadas com nós mesmas. O equilíbrio é fundamental.

  3. […] essa época até os dias de hoje eu tinha uma imagem x do meu corpo. Nunca cheguei a ser obesa nem muito magra. Tinha amigas que eram magérrimas e via como elas […]

  4. […] do padrão… ¬¬ ~ Enfim, estava pensando sobre o assunto há uns meses ai e saiu esse post aqui ó… Espero que muitas mulheres já possam pensar assim e se aceitaram […]

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