Processo Criativo: Yara Morais

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Para quem não viu o processo criativo da artista do mês passado, veja aqui. A artista do mês de Fevereiro é uma mulher incrível que conheci por meio de um grupo de mulheres no Facebook.

♥ Apresento aqui a Yara Morais. ♥

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  • Você se considera uma artista versátil e ativa?

Sim, versátil no sentido de ter uma criação bem variada com relação a estilo e materiais e ativa no sentido de ser uma artista inquieta, ansiosa até. A verdade é que sou uma aprendiz, testo de tudo um pouco em busca de uma identidade, um estilo para chamar de meu.

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  • Você gosta muito de trabalhar com anatomia, principalmente retratos. O que isso transmite para você, dentro de seu processo criativo?
Realmente, sou fascinada pela “máquina” humana, pelas faces que revelam quem somos, o que estamos sentindo ou pensando, de qual cultura ou etnia viemos, de como desejamos ser vistos (através do nosso estilo, maquiagem, adornos, etc). E tanta coisa que um simples rosto pode evocar, tanta empatia, não e mesmo?
       Quando desenho um rosto é como se por um momento eu fosse aquela pessoa e sentisse o que ela sente, e uma espécie de conexão, uma sensação de “família humana” , de que estamos todos interconectados, é um pouco difícil explicar isso racionalmente.
       Quanto a anatomia, descobri sua importância para o desenho quando comecei a estudar o Renascimento. Lia avidamente quando era adolescente sobre os pintores daquela época e notei que o que eu mais apreciava na obra desses artistas era o tratamento dado a figura humana, a precisão artística que chegava a precisão cientifica (como aconteceu com Leonardo Da Vinci por exemplo). Entendi que este tipo de estudo poderia enriquecer muito um trabalho artístico.

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  • O que tinta à óleo, aquarela, nanquim, pastel e grafite transmitem.. Há uma poética no uso destas? Sua personalidade tem a ver com o uso de técnicas mistas?
De fato cada material me transmite uma sensação (que pra cada artista pode variar muito): a tinta à óleo pra mim transmite o clássico, o refinado, a aquarela a leveza, a alegria, fluidez, o nanquim a precisão, contraste, a figura sintetizada sem muitos detalhes, o pastel o diáfano, o etéreo, uma impressão fugaz, o grafite me traz sensação de seriedade,praticidade. Eu poderia dizer que existe sim uma poética no uso de cada material, na maioria das vezes a escolha é inconsciente, de repente me vem uma idéia e juntamente a ela a  técnica que melhor combina com o que desejo expressar, é interessante notar isso.
       Minha personalidade tem sim a ver com o uso de técnicas mistas, me considero volúvel, intensa, inquieta, não me agrada muito fazer sempre tudo igual, embora eu admire muitos artistas que se concentram em uma unica técnica chegando a maestria, a uma constância, meu processo criativo é um pouco mais inconstante neste sentido.
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  • Maria Antonieta e seus derivados fazem se sentir mais inspirada pelos tons de cores usados? De uma certa forma, aguça o seu lado ‘taurina de ser’?
Adorei essa questão, eu nunca pensaria em fazer uma analogia entre Maria Antonieta e o fato de ser taurina. MariaAntonieta é uma figura histórica conhecida principalmente pelo seu traço hedonista: amante da boa vida, boa mesa, do luxo, da moda, segundo alguns, das artes do amor…pensando por este lado não fica difícil fazer um paralelo com o lado taurina de ser! 
       Certamente não apenas Maria Antonieta, mas as referências do século XVIII com relação a vestimentas, com seus costumes, banquetes, bailes, patisserie, galanteios, casos amorosos e até mesmo tons de cores, como você mencionou, são inspiração pra mim. Costumo brincar que queria ter nascido naquela época para usufruir do glamour, pois acho nosso mundo de hoje das calças jeans um pouco mais sem graça se comparados com aqueles vestidos maravilhosos! (mas so brinco mesmo, admiro na esfera da fantasia, sei que na vida real não era tudo tão romântico assim e que não existia internet, etc).
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  • Por ser curiosa isso te ajuda de uma certa forma à aceitar mudanças e testar/criar mais coisas que estão fora da sua zona de conforto?

Devido a curiosidade, realmente sempre procuro uma sarna nova para me coçar, mas ainda assim considero que não me desafio  a sair da minha zona de conforto tanto quanto acho que deveria fazer, eu poderia explorar muito mais esse lado senão fosse o medo do novo, de errar. Se eu aceitasse melhor mudanças (no caso aceitar falhar ao tentar algo novo) talvez eu procrastinasse menos e fizesse mais coisas diferentes. Acredito que este seja um dos maiores desafios na vida dos artistas: costumamos a ser muito curiosos, mas ao mesmo tempo temos aquele medo de falhar, que por vezes acaba sendo um empecilho no processo criativo.

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  • Há um equilíbrio de tons quentes e frios. Qual deles representam melhor sua personalidade?
Outra coisa que eu nunca tinha notado! Acho que tons quentes representam melhor minha personalidade, como citei em outra resposta, sou intensa, emotiva, gosto dos prazeres da vida, penso que esses traços teriam mais a ver com cores quentes do que frias, que pra mim teriam uma conotação um pouco mais placida, as vezes melancólica.
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  • Consegue produzir estudos de anatomia à natureza morta do papel à telas. Você costuma trabalhar em 2 projetos ou mais ao mesmo tempo?

Sim, principalmente se um deles for uma tela a óleo que precisa de tempo para ser feita devido a secagem das camadas, que podem levar dois dias ou mais para secarem. Acontece muito também de eu começar muitos trabalhos e terminar apenas um, ou nenhum, ou ainda mais frequente, começar e estar empolgada na execução mas se o projeto me tomar muito tempo “enjoo”  dele e parto para outra. E um desafio finalizar um trabalho, ter paciência no seu processo, consertar eventuais erros, concluir detalhes intermináveis e por ai vai. 

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  • Em épocas de bloqueio criativo, o que costuma fazer?

Num primeiro momento fico tentando produzir alguma coisa a força, o que geralmente resulta em algo bem ruim e me deixa mais bloqueada ainda. Depois da negação vem a aceitação e então começo a lidar com isso de uma forma mais positiva: leio algum livro inspirador ou faço exercícios de desenho sem maiores pretensões, saio para passear, assisto filmes, fico navegando no Pinterest, o que me inspira muito (sou a louca do Pinterest, tenho até vergonha de dizer quantos pins eu tenho). Não são períodos fáceis, mas como aprendi naquele livro “A Grande Magia” que você mesma indicou aqui no seu blog, são períodos cíclicos, e importante reconhecê-los, lembrar que eles vem, vão embora, depois voltam, que e apenas um padrão do processo criativo e que não preciso chorar escorregando na porta do banheiro até o chão gritando que sou uma farsa (acreditem, isso acontece por ai).

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  • Que tipo de figuras masculinas te inspiram para aquarelar?
Talvez a pergunta mais difícil, ate porque a grande maioria das figuras que crio são femininas!
        Num mundo que já prioriza tanto os homens, eu prefiro homenagear as mulheres, mas posso dizer que adorei ter aquarelado os ” Davids”: David Gilmour do Pink Floyd e David Bowie. São figuras que admiro muito.
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  • Você cria melhor no meio mesa bagunçada ou dela mais organizada?

Sempre organizo a mesa antes de começar a produzir porque sou distraída e bagunça me distrai ainda mais, MAS num momento de produção frenética e eletrizante eu começo a fazer uma bagunça caótica e acontecem aqueles acidentes tipo confundir a caneca do café com a caneca de lavar pincel e acabar tomando água suja. Considero que um pouco das duas coisas : bagunçada e organizada.

 

Espero que tenham se apaixonado como eu… Quem será que vou entrevistar no próximo mês? 😉

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7 Comment

  1. UAU que artista maravilhosa e talentosa! estou apaixonada pelas imagens!!

    http://www.tofucolorido.com.br
    http://www.facebook.com/blogtofucolorido
    Lívia Alli postado recentemente…demaquilante bifásico nívea.My Profile

  2. Gente, a Yara foi um dos melhores achados do Selfless. ♥ Amei conhecer mais sobre ela, Nalu! Arrasou!
    Juliana Rabelo postado recentemente…Ilustrasunday #88My Profile

  3. Como sempre a Ana Blue arrasando nas perguntas e arrasando nas escolhas das artistas!!! Muito bom conhecer a Yara Morais, me identifiquei na inspiração que a Maria Antonieta traz. Também sinto muito esse apelo que a época traz. Até dá vontade de ser entrevistada de novo hehehehehe. Quem sabe quando eu virar tatuadora!!!

  4. Prezada Ana Blue,

    Parabéns por essa entrevista, muito inteligentes tanto as perguntas, como as respostas dessa maravilhosa artista chamada Yara..Amo suas pinturas! São tão lindas que a gente não sabe qual delas vai escolher…

    Beijos,

    Rubélia

    1. Exatamente! ♥

  5. Olá!
    Yer, como foi bom ler sua entrevista e conhecer mais sobre você amiga! Tenho saudades e admiro cada vez mais você e a sua arte!
    Que você seja uma pessoa realizada!
    Te amo, e saudades!

    Beijos
    Cau.

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