Processo Criativo: Mary Cagnin

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Olá, tudo bem?

A artista de hoje que será analisada, dentro de sua poética é a Mariana Cagnin! ♥

Para quem nunca viu esse tipo de post por ai, até mesmo esse tema ou também que chegou atrasado (hehe), eu te explico como surgiu: quando eu estava finalizando meu tcc em estamparia autoral, eu tive que aprender a fazer análises sobre processo criativo, principalmente o meu (como surgiu, a produção, a poética e assim vai)… E desde então, eu passei a observar com mais detalhes todo tipo de trabalho que me atraía a atenção. Baseada nisso, eu pensei em analisar os trabalhos das mulheres que são artistas, e assim, trazer reconhecimento à elas também. ♥ Porém, como eu não as conhecia pessoalmente, eu tenho pouca informação sobre a personalidade delas, então, eu me baseio um pouco também na astrologia (signo + ascendente e/ou lua/posição dos planetas no mapa astral). Eu comecei a analisar assim, porque para mim, Ana Blue, quando analisava o meu processo criativo e poética, muita coisa da astrologia/mapa astral fez muito sentido para mim envolvendo a questão do emocional. 🙂 Então, porque não, mostrar um outro lado da arte de cada um também? <3 Daí surgiu esse post mensal sobre as artistas, que se encontra dentro da Categoria > Processo Criativo. ♥ O primeiro post deste tema foi o da Lusch!

A Mary já andava na minha lista com várias outras artistas há um tempinho atrás. Até que, na última feira independente que participei com o @ColetivoMassaroka, eu a encontrei na Feira Kraft lá na UNESP e finalmente a conheci! ♥

♥ Apresento aqui a Mary Cagnin: Mariana Cagnin. ♥

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  • Analisando seus trabalhos, em um geral, você usa mais cores frias do que as quentes. Esses tipos de cores, possuem alguma influência na sua personalidade?
Nunca parei pra pensar sobre isso! Geralmente escolho uma paleta de cores que me agrada, e tenho trabalhado muito com paletas reduzidas, cores dessaturadas e tons pastéis. As cores podem também estar ligadas a um momento da minha vida. Nos meus desenhos de adolescência eu usava muito vermelho, muito sangue, mas era um momento que estava tudo a flor da pele. Hoje me sinto mais madura e, ao mesmo tempo, vivo momentos de muita introspecção.
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  • De todas as artistas que já analisei, seus trabalhos me trouxeram paz pelas cores, porque são tons bem misturados entre si, mas nada muito contrastante, são mais pasteis… com um mix de poucos contornos: tanto formas rígidas e mais fluídas. O que as técnicas te agradam?
Estou sempre adaptando minhas técnicas e encontrando novas traços, novas combinações de cores. Pra mim é um processo que está sempre mudando, nunca me satisfaço com uma coisa só. Meu trabalho como ilustradora me influencia bastante, muitas vezes preciso ser mais objetiva, e isso acaba vindo também pros meus projetos pessoais.
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  • Boa parte dos seus retratos femininos possuem um “rosto firme”/personalidade forte/determinadas e a pintura de uma forma mais leve, como se retratasse a feminilidade delicada. Posso dizer que, seus retratos reproduzem seu jeito firme em expor suas ideias e a pintura seu lado lúdico? ♥
Acho que é uma forma de se colocar. O traço pra mim é a expressão, é instintivo, e a cor é o “mood”. Os meus trabalhos mais pensados seguem esse padrão, mas tem alguns que faço quando apenas quero me expressar, estes de alguma forma saem diferentes. No geral eu represento aquilo que eu acredito, ou algo em que possa me inspirar.
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  • Alguns estudos, há pouco contorno e feito de uma forma mais ágil, em que olhando o desenho, se deduz o restante da forma com paleta reduzida (tanto aquarela quanto marcador). É a praticidade e a agilidade da srta. ariana falando mais alto ai? :B
Com certeza! A tendência é sempre a simplificação mesmo dentro de um estilo mais realista. Vi isso acontecer partindo da minha necessidade de trabalhar de forma mais prática, porque eu trabalhei numa editora, e a demanda era muito grande. Antes eu já desenhava rápido, mas era por causa da minha impaciência mesmo. Hoje eu tento aliar a qualidade à agilidade e acho que a prática ajuda muito!! Rs
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  • Seus trabalhos com as figuras masculinas, são bem expressivos e marcantes. Quais suas referências para desenhá-los?
Bom, as pessoas costumavam confundir os meus personagens masculinos com mulheres, e isso me traumatizou de alguma forma. Procurei estudar mais anatomia masculina, e trazer um pouco da expressão (que é bem diferente da expressão feminina!) e acho que estou chegando em algum lugar… xD
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  • Em seu trabalho digital e com marcador, há uma leve diferença de traço: mais realistas, práticas e uma forma de inovar seu próprio trabalho. Como é para você?
Tive que simplificar muito meu traço pros meus trabalhos profissionais, como ilustradora editorial. Hoje o realismo ficou mais pros meus quadrinhos, que é onde posso detalhar personagens, cenários… Eu acho que aprendi a ser versátil meio que na marra, mas foi ótimo, porque consigo adequar uma técnica a um estilo, como por exemplo os marcadores que são uma coisa nova pra mim. E veja bem, eu amo aquarela, mas chega um momento que a gente acaba repetindo uma mesma fórmula muitas vezes, aí perde o sentido, pelo menos pra mim. Pra mim esse tipo de tédio artístico é como a morte, por isso estou sempre em movimento, buscando inovação.
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  • Dando uma fuçada sobre o gênero sci-fi, encontrei uma conexão com a sua Lua em Aquário :B. Geralmente, o signo de aquário tem a facilidade de estar à frente dos outros: sempre muito original e ousado nas ideias, logo, a relação do sci-fi é ter a ousadia de imaginar um futuro muito a frente do que estamos, saindo da caixinha. E o mais interessante ainda é que você, uma mulher na área dos quadrinhos criou todo esse projeto (foda)! Eu, particularmente, nunca vi nenhuma mulher com quadrinho de sci-fi…. Como a ideia toda se desenvolveu? Quais suas vontades de explorar esse tema?
Comecei nisso porque queria um novo desafio. Eu nem sabia direito onde eu estava me metendo, pra dizer a verdade. Durante muito tempo me senti insegura nesse gênero, achando que eu devia alcançar certo patamar, que precisava agradar todo mundo, mas aí me toquei que o mais importante mesmo era contar uma boa história, independente do gênero. E eu nem sei se estou assim tão a frente, porque meu foco é sempre a construção do personagem e das suas relações, e a ficção científica acabou como plano de fundo, pra contextualizar a história. O mais curioso é que eu já escrevi muito sobre esse universo que criei, acho que acabei pegando gosto pela coisa. Acho que escrever sobre sci-fi foi uma surpresa muito boa pra mim, porque eu achava que não seria capaz de fazer algo legal com a qual eu pudesse me envolver da mesma forma que as outras coisas que já faço.
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  • Você já parou para pensar o que cada técnica que você usa, representa dentro de seu processo criativo?
Significa inovação. Claro que tem sempre aquela técnica que mais se adequa melhor ao que estamos buscando, como é a aquarela pra mim. Na faculdade, por exemplo, tive contato com muitas técnicas diferentes, algumas que eu sei que não vou voltar, porque não tem nada a ver com a forma que me expresso, e outras que posso revisitar futuramente. Mas nisso, eu aprendi que sempre dá pra transformar uma coisa (ou uma técnica) a seu favor, e esse negócio da experimentação eu devo à minha formação, com certeza.
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  • Escrever roteiro, para quadrinhos, também é uma forma de expressar o que pensa e sente, mesmo dentro de contextos específicos. Essa parte da escrita te atraiu desde quando?
Desde sempre, eu acho, até mesmo antes que meu interesse pelo desenho. Veja bem, eu sou uma contadora de histórias que por acaso também gosta de desenhar. Por inspiração do mangá, eu encontrei nos quadrinhos uma forma de contar essas histórias. Claro que muita gente me conhece pelas minhas ilustrações, e hoje eu me sustento por causa da ilustração. Em algum momento, consegui transformar o desenho em uma profissão, o que eu amo fazer por sinal. Mas eu já larguei um emprego numa editora porque não tinha tempo pra fazer meus projetos pessoais (principalmente quadrinhos) e isso me deixava miseravelmente infeliz. E toda vez que me envolvo em um novo projeto, eu sempre tenho essa sensação de que nasci pra fazer isso, e que sem isso nada mais faz sentido (muito drama, eu sei, hahaha). Além disso, sou uma pessoa com muitos interesses, é até difícil de administrar às vezes, mas essa loucura toda faz parte de mim, faz parte da minha expressão como artista e como pessoa.
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  • Que dica/mensagem você gostaria de dar pra mulherada que tá se jogando na onda dos quadrinhos? E pra quem quer seguir na área de comunicação visual/ilustração?
Digo sempre e repito: Nada acontece do dia pra noite! Precisamos sempre respeitar nosso próprio tempo e nosso próprio processo. Todo aprendizado tem um processo, e não adianta pular etapas. Vejo muito artista iniciante que se frustra porque não consegue atingir certo nível, ou então está em busca de uma “fórmula” ou uma resposta rápida pra atingir certo objetivo, e sinto dizer que essa fórmula não existe. O que existe é muito treino e força de vontade, e talvez (muito provavelmente) muitos e muitos anos de prática. E também nunca deixe que lhe digam que você não é capaz de uma coisa ou outra, ou que coloquem empecilhos no seu caminho. Às vezes, a pressão é interna, às vezes é externa, mas é preciso ter força pra continuar. Talvez exista um caminho mais fácil, mas eu só conheço o caminho mais difícil, e acredite, quando você finalmente termina um projeto, não tem nada que pague a sensação e o orgulho que você sente. Ele pode não ser perfeito, mas é seu. Eu sou um exemplo de que certas coisas são possíveis, junto com muitos outros artistas, ou mulheres artistas, que estão aí desbravando esse mundão.
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Ahhh <3
Se você chegou até aqui, cêis já viram o último Speed Painting que a Mary fez sobre o Projeto Black Silence dela? Clica aqui pra ver!
E pode vir ajudar azamiga lá no Catarse viu? ♥ Clica aqui ó!

_♥_

Quem será a/o próxima/o artista que escolherei ein? ?

 Aguardem para os próximos capítulos!

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2 Comment

  1. Oi!
    Gostei muito do post de perguntas sobre processo criativo.
    Acho que vai ajudar um pouco no meu tcc também (que também é relacionado ao assunto)
    gostaria de mais posts assim.
    bjus!

    1. Já existem vários desse tipo de posts aqui no blog. Só fuçar na categoria Processo Criativo. 🙂 Tem tanto posts entrevistando artistas como post ensinando como a se encontrar dentro de seu trabalho, em que aprendi pelo meu tcc.

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