Processo Criativo: Bruna Karnauchovas

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Olá!

Após muito tempo preparando posts e pesquisando artistas para eles, venho hoje com a Bruna Karnauchovas.

Ela tem uma pegada muito mística, conceitual com toda a sua busca por significados e simbologias. Tenho certeza que se apaixonará mais ainda pelo trabalho dela depois de entender sua poética. ♥

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afrodite

  • Qual sua ligação com o místico, bruxas, simbologias e significados?

Eu tenho uma ligação profunda com a bruxaria. Para todos os efeitos eu desenvolvi mediunidade desde muito pequena, e sempre tive interesse em misticismos e mistérios em geral (dizem que é por causa do meu signo, escorpião). Comecei com o interesse em bruxaria na adolescência, mas mais pela história e pelos reais costumes do que pelos almanaques wicca, como as meninas da minha idade costumavam comprar para se dizerem bruxas. O interesse continuou mesmo quando entrei na faculdade, onde tive a oportunidade de estudar também outras religiões e seus simbolismos, como o budismo, o espiritismo e a umbanda. Frequentei terreiros de umbanda por bastante tempo. Eu lia de tudo (sou uma leitora compulsória). Como também sou escritora e gosto de escrever sobre fantasias (especialmente sobre bruxas) eu gostava de estudar referências históricas sobre cada assunto. Estudei bastante semiótica na faculdade (semiótica é a ciência geral dos símbolos e da semiose que estuda todos os fenômenos culturais como se fossem sistemas sígnicos, isto é, sistemas de significação).

bruxa

  • O que o contorno de nanquim tem a ver com a personalidade das suas artes? Há um perfeccionismo sendo buscado?

O contorno de nanquim começou para acalmar os meus nervos. Era uma forma, sim, de perfeccionismo. Eu sempre me interessei pelas vestimentas renascentistas, rococós, vitorianas, eduardianas e pelos detalhes das roupas. Então para me tranquilizar de que eu estava me esforçando o suficiente eu mergulhava em fazer em nanquim todos os detalhes das joias, dos bordados, dos drapeados, dos cabelos, dos arranjos… Tudo para sentir que estava preenchendo todo o desenho, para sentir que estava completo em todos os mínimos detalhes. Tendo a lua em virgem, acho que isso era mais um lance emocional do que um método. Era mais um interesse em acalmar o espírito do que a procura por resultados estéticos.

fumaça

  • Além das artes místicas, há personagens distintos que você cria. Você busca referências em novos horizontes com mente aberta, tal como: o astronauta, homem do cachimbo, japonesa com touca de pêlos, assim por diante? Quais são elas?

Nem todos os personagens que crio têm uma história muito profunda. Alguns deles (como o homem do cachimbo) são desejos passageiros de representação. Mas eu tenho muito interesse em representação de culturas (algumas culturas específicas, como a russa e a mongol, e isso por causa de minhas origens. Parte da minha família veio da Rússia e da Mongólia). Eles são a expressão dos meus estudos pelos símbolos culturais e religiosos deles. Geralmente eu estudo suas vestimentas, suas jóias, suas armas, e tento montar como em uma mandala os meus símbolos preferidos nessas figuras.

mongolia

  • Qual técnica colorida você se identifica mais e por quê?

Minha técnica favorita é a aquarela e o guache. Eu tenho bastante medo de errar, e com a aquarela eu posso aplicar por camadas e ir construindo as cores e as formas de maneira bem lenta. E, se eu errar, eu passo água e limpa tudo.

sereia

  • Desenhar suas mulheres, o que significa para ti?

As mulheres são meus sentimentos, são minha própria faceta. Coloco sobre elas coroas de flores, coroas pesadas, chifres, colares e enfeites sufocantes, olhares tristes, símbolos e pesos que eu sinto sobre minha própria cabeça. Não são mulheres leves. Há um desequilíbrio que não consigo evitar. São mulheres magras, ossudas, nuas, que carregam sempre na cabeça e no pescoço o sufoco de ser quem elas são.

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  • Por quê “Flecha de Bruxa”?

Na adolescência eu procurava para mim uma assinatura. A minha melhor amiga tinha declarado para ela a exclusividade de assinar com um pentagrama, e eu me sentia sem identidade, pois não tinha nenhum símbolo interessante para assinar meu nome. As pessoas não me reconheciam. Vi então em um filme infantil, uma paródia sobre Robin Hood, que o menino assinava seu nome trespassado por uma flecha. Eu achava que a flecha era um símbolo humilde, ainda mais relacionado com Robin Hood. Passei a fazer isso, e adaptei ao longo do tempo até sobrar somente a flecha. Quando fui abrir minha página no facebook fiquei pensando sobre minha identidade novamente, e pensando sobre que tipo de símbolos eu carregava. Eu já era conhecida como “bruxa” pelas pessoas que me conheciam. E havia a Flecha. Eu era a Flecha e era a Bruxa. Mas não sou só eu que sou Bruxa, então eu sou a Flecha da Bruxa. Um instrumento dela.

santa sem luz

  • Seu lado romântico também está presente em algumas artes com referências vintage, isso é uma das características e influências do seu ascendente de peixes, já pensou?

Eu não sabia que poderia ser por causa do meu ascendente em peixes. Na verdade sempre achei que fosse mais influenciado pela sexualidade de escorpião. Eu sempre fui apaixonada por figuras vintage. A ideia onírica do romantismo antigo (embora, né, totalmente machista), da sexualidade e fragilidade espertas das pinups, de serem adoradas pelos homens, de serem símbolos de beleza e sexualidade. Eu sempre quis aquilo para mim. Eu não ligava de ser um símbolo sexual (e talvez até hoje eu não ligue). Eu tentei retirar isso de mim ao saber de todo machismo envolvido, mas não consegui. Meu sonho secreto era ser como a Dita Von Teese. Mas acho que o vintage se transparece muito mais em minhas roupas e comportamento do que nas minhas obras.

sphynx

  • O que as técnicas que você usa representam para você, ligada ao emocional?

A aquarela é lenta e pode facilmente ser lavada do papel, praticamente sem deixar vestígios. Se eu errar, posso lavar o papel e o erro sai. E eu passaria por cima do erro mais camadas de tinta, como um curativo. Ela é leve, parece inocente. Posso fazer uma moça estrangulada carregando uma coroa de espinhos, cega e sofredora, mas quando a pinto de aquarela e guache as pessoas quase não percebem a sua dor. Elas são mesmerizadas pelas belas cores, pelos detalhes tão bonitos das rosas, das sardas, das joias. Eu uso muitas camadas para esconder as dores das figuras que desenho. Elas são assustadoras no rascunho, quando estão em grafite. Quando passo para o papel de aquarela com o lápis de cor azul e vou escondendo a feiura e a dor com as camadas alegres de cores, no final é uma enganação. Ninguém consegue ver a dor. E são tantas camadas que é um peso, mas as pessoas não sabem quantas camadas eu usei, e não sabem o peso que elas têm. E há a água. Tenho uma ligação profunda com a água. Ela é simples e pura.

  • Em fases com bloqueio criativo, o que faz?

Aprendi na faculdade com a minha professora de desenho de que não há bloqueio criativo e de que não existe inspiração antes de começar uma obra. A inspiração vem depois de muito trabalho, quando você está a ver o seu avanço e se motiva a terminá-lo. Eu levo isso comigo sempre, e quando não estou muito disposta à grandes obras de arte eu desenho compulsivamente animais, à lápis. Pinto arranjo de flores, pinto casas vitorianas. Pinto coisas bonitas, mas que não têm nada demais para mim, não significam nada. Essas pinturas são sempre as preferidas da minha mãe, aliás.

_♥_

Quem será a/o próxima/o artista que escolherei ein? 🙂 Aguardem para os próximos capítulos! ?

Ana Blue

5 Comment

  1. Adorei o seu blog, eu também gosto dos seus desenhos.
    Obrigada por partilhar.

    1. Obrigada flor! ♥

  2. […] Voltei com o tema de Processo Criativo das Artistas que admiro. Tirei uma folga desses posts porque analisar cada é complexo, além de que deixei meio em off para não enjoar né? Para quem tá perdido, o último post desta saga foi sobre a Bruna Karnauchovas. […]

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