Ilustração e o mix de ideias

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Olá 🙂

Há um tempinho estou sumida do blog por conta de ~ falta de inspiração para postar ~ e por conta disso, estou atrás de conteúdo por aí e peguei um livro muito interessante sobre Criatividade (que ultimamente é o que eu ando mais falando por aqui desde as férias né?) :3

2014-02-12 12.32.18

Estou gostando bastante dele, acho que farei uma resenha. 🙂

Bom, o livro tem muita informação interessante e que fazem muito sentido! <3 Baseado nele eu tive a ideia de fazer esse post e para deixá-lo mais complexo, em fazer questões para ilustradoras amigas e que conheço; além de que, também vou responder, já que faço parte deste meio (e eu adoro responder perguntas! ueheuh).

O livro trata bastante sobre criatividade, cópia, originalidade e plágio. Esse conceito de originalidade x plágio surgiu na Renascença italiana, no século XIV. E para eles a inovação e a criatividade eram entendidas como um esforço cooperativo em que uma ideia era copiada da outra e evoluía através de aperfeiçoamentos incrementais. Então, o conceito de plágio não existia. Copiar e criar estavam enraizados na mesma origem.

No caso, a pessoa que copiava tinha a obrigação de melhorar a cópia.

A partir da segunda década do século XVI, os patronos pediam as obras por artistas específicos. Nessa época, os artistas começaram a assinar seus trabalhos, ou seja, isso deu origem ao conceito de “originalidade”.

E outra, até o próprio Sr. Einstein dizia “O segredo da criatividade é saber como esconder suas fontes”. Ele sabia que a verdadeira fonte de ideias está em outras ideias – e que as ideias originam umas às outras. Que elas são construídas umas sobre as outras. Agora você sabe disso também.

Chamei 3 ilustradoras para responder algumas perguntas que montei, para entendermos como a criatividade é baseada no ponto de vista delas. Ah, eu também responderei hehe… (como disse acima :3)

Ilustra da Suelen
Ilustra da Suelen

Questões:

1) Que área da arte você estuda? 🙂
  • Suelen Lima: No momento faço curso de pintura digital tradicional.
  • Brendda Lima: Eu estudo Design de Moda.
  • Ana Lu Freitas: Design de Moda. Estou no 3º ano.

2) O que a arte significa para você?

  • Suelen Lima: É o modo que eu escapo das confusões da vida real no dia-a-dia.
  • Brendda Lima: Eu nunca parei para pensar o que arte significa para mim, por que eu sempre vivi/respirei desenhos animados, música, ilustração e moda, estimulada desde a infância pelos meus pais e pelo meu colégio.
  • Ana Lu Freitas: Tudo. Uma das melhores maneiras para se expressar pelos traços, pelas cores, pela composição e conceitualmente.

3) Desde sempre pega referências? De onde? Quais?

  • Suelen Lima: Do santo Google mesmo, ou dependendo da complexidade do que eu queria fazer, apelava pra sites mais específicos tipo o DeviantArt. Normalmente preciso de mais referências pra desenhar animais.
  • Brendda Lima: Atualmente tiro referências de poses do pinterest, mas considero todas as mídias sociais que focam na reprodução de fotos (tumblr, instagram), uma ótima fonte de ideias. Já usei deviantart, flickr, google… Mas eu mudo de fonte conforme eu uso mais uma mídia social do que outra. O que eu mais gosto, hoje, é observar cores, enquadramentos de revistas em quadrinhos, animações, editoriais de moda e fotografas alternativas.
  • Ana Lu Freitas: Desde pequena vivo na internet e seeeempre pegava muitas imagens que me atraiam esteticamente. Além de que, quando criança eu cortava e pegava tudo que via pela frente e colava nos meus cadernos de desenhos, que agora, são os famosos sketchbooks! Hoje vivo literalmente no Tumblr, um dos sites que MAIS me inspiram <3 Pinterest eu tenho conta, mas como não me acostumei com ele eu abandonei. Dois dos meus ilustradores favoritos baseado na aquarela são o Conrad Roset e a Agnes Cecile.
Ilustra da Brendda
Ilustra da Brendda

4) Você guarda todas suas referências aonde?

  • Suelen Lima: A rede social Pinterest é excelente pra achar e guardar referências. 😀 Também tem vários tumblrs de arte que valem a pena olhar e reblogar pra ficar guardado pra futuras consultas.
  • Brendda Lima: O Pinterest é uma ótima forma de armazenar imagens sem ocupar a memória do computador <3 Tudo fica tão organizadinho por temas que me interessam que tem funcionado como uma extensão ou um drive. Mas quando eu quero desenhar algo “já”, eu baixo e salvo numa pastinha.
  • Ana Lu Freitas: No computador, tudo na pastas “INSPIRAÇÕES”. Na internet fica pelo Tumblr mesmo que por um lado é bom porque não ocupa memória no computador. hihihi.. E fisicamente,  nos meus 7 Sketchbooks, saão uma baita duma referência!

5) Referência é uma forma de entender o conceito que um artista usa: que você se identifica por conta do gosto pessoal e tanto pelo o que o artista reproduz que te atraiu de alguma forma. Em algum trabalho que você fez, usou o mesmo conceito de algum artista que gosta?

  • Suelen Lima: Antigamente sim, olhava o estilo de ilustradores que admiro e tentava entender como era feito. Na maior parte do tempo nem tentava desenhar, só mesmo entender como foi feito pra daí bolar alguma coisa com alterações pessoais pra mim. Acho que observar o estilo de vários ilustradores só vale se forem realmente vários; pra não ficar ancorado em um estilo só e acabar perdendo a oportunidade de desenvolver uma coisa característica, só sua.
  • Brendda Lima: Nos trabalhos mais recentes pro estágio, eu usei muitas referências de hq´s da década de 50 e 60. O uso de cores e retícula é algo muito incrível. Eu acho que as hq´s são a minha maior referência hoje em dia, só que eu não deixo que isso interfira na forma como eu gosto de trabalhar a feminilidade, a leveza e a doçura das minhas ilustrações.
  • Ana Lu Freitas: Geralmente tento me basear nas técnicas em que o meu artista trabalhou e tentar entender como ela funciona em vários testes. Para depois adaptar às minhas técnicas.
Ilustra de Ana Lu (eeeu :)
Ilustra de Ana Lu (eeeu 🙂

6) Quando você cria uma obra baseada em ideias que você teve; você já acrescentou ou adaptou com outros conceitos que viu para melhorá-la?

  • Suelen Lima: Sim, tudo é passível de melhora. Um ótimo exemplo é a aplicação de texturas e actions, que se usadas de forma correta podem dar uma cara totalmente nova a ilustração.
  • Brendda Lima: Acho que todo mundo faz isso. Ilustrar é um processo de constante aprendizagem e aperfeiçoamento. Acho que posso destacar dois momentos de aprendizagem que caracterizam muito meu estilo: O uso de aquarela e a mescla com pintura digital.
  • Ana Lu Freitas: Vivo adaptando ao que eu acho melhor, porque sou muito crítica e ainda não acredito que meus desenhos estejam 100% bons. Há muito o que treinar. 🙂

7) “Há muita névoa de equívocos em relação ao processo criativo. Ninguém quer admitir que roubava, que no núcleo do processo criativo estava tomando emprestadas as ideias. Para criar, você precisa copiar. Ironicamente o plagiador e o gênio criativo estão fazendo quase exatamente a mesma coisa.” Comente seu ponto de vista.

  • Suelen Lima: É hipocrisia dizer que nunca copiou nada. Copiar que digo no sentido de ver algo e tentar fazer igual, não necessariamente elaborar um clone e sair por aí dizendo que foi você que fez. Isso desde sempre eu acho inadmissível. Mas não tem nada de errado em se basear em alguém que você admira pra começar a desenhar ou começar a procurar seu próprio estilo. O que não pode, é omitir o óbvio; que o desenho não ta parecido, mas que tá igual. É aí que eu acho que entra o mais importante do aprendizado, a humildade de dar os créditos da sua fonte, porque assim como você admira o traço que acabou de “copiar”, muitos outros também o admiram e esse artista merece o reconhecimento pela inspiração que deu a você.
  • Brendda Lima: Eu concordo com a afirmação até certo ponto. É comum copiar referencias para aperfeiçoar desenhos. A gente faz muito isso na infância. Mas o plágio é uma prática ruim e muitas vezes tem fins comerciais sobre a propriedade intelectual de outra pessoa. É ai que minha opinião diverge da afirmação acima. O plagiador não está no mesmo patamar que o artista. Ele não cria, apenas se apropria de uma obra completa e a reproduz de maneira indiscriminada.
  • Ana Lu Freitas: No inicio da sua vida criativa, passamos muito tempo copiando formas, cores e assim por diante. Quando comecei a desenhar, nos meus 9 anos, eu vivia com folhas vegetais copiando os desenhos das princesas da Disney. Assim eu via como que funcionavam as formas, o desenho de um rosto, traço de cabelo e assim por diante. Depois fiz curso e lembrei dessa época e entendia porque um rosto de 3/4 era desenhado daquele modo. E com o tempo, você vai se adaptando com o seu traço e passando para ele tudo o que aprendeu com a observação e com a cópia de antes, isso é o que o ‘gênio criativo’ faz. Já o ‘plagiador’, atualmente, digo que é toda pessoa que copia na cara de pau. Diz que “se inspirou”, só que na realidade esta copiando e trocando alguns detalhes e que você, batendo o olho e reconhecendo o estilo sabe de quem é. Até o ponto que você reconhece, sabe que é uma cópia. Quando você vê uma arte que não consegue enxergar o estilo e tentar lembrar de alguém, quer dizer que você esta no caminho certo. 🙂

8) “O pensamento criativo é a busca de uma ideia que já existe, e não do ato de esperar por algo que surja em sua mente.” Você concorda com isso? (isso é um ponto que eu vivo tentando mostrar pras blogueiras dos grupos do facebook..)

  • Suelen Lima: Com certeza não é ficando parado que uma ideia genial vai brotar na sua cabeça. Quanto mais estudo, mais vislumbre de referências você tiver, mais facilmente você consegue pensar em algo criativo. É preciso de material -mental- pra poder criar alguma coisa, na arte isso não é exceção.
  • Brendda Lima: Concordo sim. Toda ilustração nasce de uma situação que o artista viveu. De um objeto que ele observou, ou de elementos que ele mesclou. A originalidade da ideia está em saber combinar todas essas pequenas influências de uma forma que você consiga expressar coisas que você gosta. Se isso agradar mais gente, ótimo.
  • Ana Lu Freitas: Siiim. Quem não arrisca não petisca. Tem que tentar com tudo o que vê pela frente. A partir disso, você vai desenvolvendo. É o mesmo que pegar os detalhes de uma casa antiga na rua perto de onde você mora. Ou seja, aquela casa já existe – “uma ideia que já existe” – e brincar com suas formas até encontrar algo que te agrade.

9) Quando você se encontra sem inspiração, o que você faz para ‘encontrar A luz’? 🙂 (isso é um ponto que eu vivo tentando mostrar pras blogueiras dos grupos do facebook..)

  • Suelen Lima: Normalmente se eu tenho um bloqueio, eu deixo pra lá. Vou fazer outras coisas, tento esquecer totalmente do que queria fazer ouvindo música ou assistindo alguma coisa. Pelo menos pra mim, é só depois que me desligo do bloqueio é que ele some e eu posso voltar a pensar em alguma coisa.
  • Brendda Lima: Procrastino 😀 Não adianta forçar muito, por que não consigo desenhar nada sobre pressão. Então eu dou uma volta. Tomo água. Como algo. Converso. Olho imagens no Pinterest. Me deixo livre para começar mais uma vez quando o cérebro estiver menos cansado.
  • Ana Lu Freitas: Eu sempre estou falando por aqui, principalmente no grupo das blogueiras no facebook que não adianta você querer focar muito em um assunto quando não se esta inspirada. Não adianta. Porque quanto mais você foca, menos vão sair coisas legais. A magia de uma inspiração é quando ela vem do nada. Essas são as melhores horas, porque ela vem de uma maneira pura. Inspiração tem que ser incentivada pela arte, com o que você vê na rua, com o comportamento das pessoas, com o que você come, Tumblr, clipes de músicas, internet, fotografia, bandas diferentes, formas, movimento. Tudo o que você convive pode te inspirar. É só olhar o mundo com outros olhos =D

Por hoje é só!

Provavelmente eu dê mais sumidas por ai para procurar conteúdos interessantes e mais legais!

Para saber mais sobre criatividade, tem um segundo post sobre o mesmo livro! Clique aqui.

Ana Lu 😀

6 Comment

  1. […] Voltei aqui, com o mesmo papo do post anterior sobre o livro do David Kord. Para ver o post que estou falando, clique aqui. […]

  2. […] Depois de um bom tempo que queria falar desse assunto que eu adoro, andei pesquisando bastante, lendo livros e mais livros sobre o assunto; (além de que, agora estou fazendo curso intensivo de processo criativo com a Catarina Gushiken, como presente de aniversário ♥ ~ colocando em prática tudo que já li na teoria) venho tendo maior contato e tendo explicações mais bem fundamentadas, posso tocar nesse tipo de assunto. Algo que queria compartilhar o que estou aprendendo Além de que, já fiz um vídeo/post falando sobre inspiração e como organizar as ideias (clique aqui) e como é o processo criativo com mix de ideias (clique aqui). […]

  3. […] Depois de um bom tempo que queria falar desse assunto que eu adoro, andei pesquisando bastante, lendo livros e mais livros sobre o assunto; (além de que, agora estou fazendo curso intensivo de processo criativo com a Catarina Gushiken, como presente de aniversário ♥ ~ colocando em prática tudo que já li na teoria) venho tendo maior contato e tendo explicações mais bem fundamentadas, posso tocar nesse tipo de assunto. Algo que queria compartilhar o que estou aprendendo 🙂 Além de que, já fiz um vídeo/post falando sobre inspiração e como organizar as ideias (clique aqui) e como é o processo criativo com mix de ideias (clique aqui). […]

  4. […] Voltei aqui, com o mesmo papo do post anterior sobre o livro do David Kord. Para ver o post que estou falando, clique aqui. […]

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